Confusa. Era assim que ela se sentia.Sua vida estava agitada e calma ao mesmo tempo. Ela tinha muitas obrigações e muitos compromissos. Todos relacionados ao seu lado profissional, já o pessoal estava mais tranquilo do que nunca! Isso não a fazia feliz, não equilibrava sua vida numa forma geral! Por mais corrido que fosse o seu dia, ela queria compartilhar isso com alguém. Família, amigos, amores... mas se via sozinha. E não via uma maneira de sair disso.
Ela queria poder apertar seus horários, sair correndo (mesmo sabendo que chegaria atrasada), sentir cansaço no fim do dia. Nada disso a tornaria infeliz se tivesse alguém para está ao seu lado ou ao menos para pensar antes de dormir. Mas não! Os seus pensamentos estavam voltados para muitas outras coisas. Coisas que ela gostava, mas que não queria levar consigo para casa.
Onde estava a mulher decidida, disposta a enfrentar seus medos e a lutar pelos seus sonhos? Ela estava tentando resgatar essa "mulher"... talvez ela trouxesse a solução.




Os corredores estavam desertos. Ela lembrou das diversas histórias mal-assombradas que ouvira e até contava sobre aquele colégio tão antigo... As passagens secretas, que realmente existiam, e a sala onde as freiras colecionavam caixões, que nunca ficou provado, pois nunca ninguém teve coragem de ir constatar. Lembrou das brincadeiras, dos sustos, das repreensões quando tentava entrar em algum lugar que era proibido para os alunos. O que será que tinha lá? Como ela gostaria de saber! Mas a sua única certeza era de que nunca conseguiria entrar por aqueles becos e portas gigantescas. Percorreu o corredor central até o seu final, onde tinha a antiga biblioteca. Ela ainda continuava ali e ainda continuava antiga. Rara as vezes que encontrava um livro do seu agrado, pois todo aquele espaço era cercado por exemplares antigos, alguns que ela seria capaz de apostar como nenhum aluno jamais havia ao menos folheado. Conseguiu ouvir a voz da bibliotecária, sempre com a cara "amarrada", dando sermão em qualquer um que se atrevesse encostar sobre a sua bancada.









